CBD em Produtos de Dermocosmética

CBD - PORQUÊ TANTO INTERESSE?

O CBD (canabidiol) é um dos principais fitocanabinóides presentes nas plantas de canábis. Esta molécula natural e biologicamente ativa tem recebido muita atenção nos últimos anos, mas por que motivos?

O motivo principal estará relacionado com o seu enorme potencial terapêutico1,2,3, sendo-lhe atribuídas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, antioxidantes, ansiolíticas, anticonvulsivantes, entre outras já identificadas e que permitem uma grande variedade de aplicações terapêuticas13.

O facto de não causar dependência e de ter um excelente perfil de segurança e tolerabilidade quando consumido5 são também razões para o constante aumento de interesse, que associadas ao baixo risco clínico resultante de interações medicamentosas13 faz com que seja um dos princípios ativos mais seguros.

Além disso, há que mencionar que o CBD não provoca efeitos secundários graves (são-lhe atribuídos efeitos como a sonolência, tonturas e ligeiro aumento de temperatura)13 nem efeitos psicotrópicos (que estão ligados ao THC), tendo inclusivamente o potencial de reduzir os efeitos indesejados associados ao consumo de maiores doses de THC4.

Por último, devemos mencionar que o CBD utilizado em produtos de dermocosmética é completamente natural, uma vez que é extraído das plantas cannabis sativa L. (em particular do cânhamo).

São estes os motivos que têm contribuído para que o CBD se esteja a tornar num dos princípios ativos que mais interesse tem gerado a nível global. Embora a disponibilidade dos produtos com esta molécula esteja dependente da legislação de cada país, atualmente podemos encontrar CBD nos mais variados produtos, desde medicamentos, a suplementos alimentares, passando por produtos alimentares (comestíveis e bebidas) e também nos produtos de dermocosmética.

MAS PORQUÊ USAR CBD EM PRODUTOS DE DERMOCOSMÉTICA?

É importante perceber que o CBD interage com o organismo através do sistema endocanabinóide (SE), que desempenha um papel fundamental em vários processos fisiológicos do nosso corpo, incluindo em diversos aspetos da biologia cutânea. Presume-se que a sua desregulação poderá contribuir para a génese de diferentes problemas na pele10,11. Logo, um consumo de CBD irá reforçar a capacidade do SE de regular o organismo e de evitar o aparecimento de tais problemas.

Concluímos então que todas as propriedades terapêuticas que o CBD pode oferecer para melhorar a saúde, o bem-estar e o equilíbrio do organismo resultam da interação com o SE. Várias dessas propriedades podem ser muito benéficas nos cuidados com a pele.

  • É um forte antioxidante com potencial de antienvelhecimento
    A superfície da pele está sempre sujeita a danos oxidativos que são causados por radicais livres ou por fatores ambientais externos (como os raios UV e a poluição). Estes levam ao aparecimento de rugas, de um tom de pele avermelhado, o que dá à pele um aspeto mais envelhecido e opaco. As propriedades antioxidantes do CBD, já demonstradas em diversos estudos científicos, poderão ajudar a proteger superfície da pele contra essas agressões, o que vai contribuir para a desaceleração do processo de envelhecimento da pele deixando-a mais suave e lúcida2.
  • Tem um enorme potencial anti-inflamatório
    A inflamação da pele é um processo complexo e multifatorial e para o qual CBD pode ser uma grande ajuda, uma vez que oferece propriedades anti-inflamatórias que permitem ajudar na redução de potenciais inflamações da pele1. Este canabinóide tem demonstrado um grande potencial para o tratamento de doenças inflamatórias, como a psoríase, o acne e os eczemas, tendo apresentado resultados favoráveis com efeitos adversos limitados6. 
  • Adequado para peles sensíveis
    O potencial antioxidante e anti-inflamatório do CBD faz com que este princípio ativo seja ideal para quem tem peles sensíveis. 
  • Poderá reduzir a sensação de dor e a comichão
    O SE tem um papel importante no controlo das sensações de dor e comichão cutâneas e um consumo de CBD ajudará a uma melhor regulação destes fenómenos sensoriais, reduzindo-os11. No que diz respeito à dor, estudos preliminares indicam que o CBD poderá ser eficaz também no tratamento da dor resultante de artrite15. 
  • Assiste no combate à pele seca
    Uma vez que o SE tem um papel relevante no controlo da produção de gordura na pele (processo determinante na manutenção da humidade e controlo da pele seca), o consumo de CBD levará a uma melhor regulação deste processo que, por conseguinte, prevenirá o aparecimento da pele seca11. 
  • Potente calmante que permite o reforço da sensação de bem-estar
    Uma das principais características do CBD (e uma das razões para um uso tão generalizado nos mais diversos produtos), prende-se com a sua ação calmante no sistema nervoso central (existindo relatos de que até poderá ajudar no tratamento da ansiedade)12, mesmo se consumido topicamente. Além disso, a sua interação com o SE vai assistir na manutenção da homeostase do corpo (ou seja, na manutenção do estado de equilíbrio entre os diferentes processos fisiológicos do organismo). Tudo isto nos permite dizer que o CBD, além de um potencial efeito calmante que poderá aliviar sintomas de stress, permitirá um aumento da sensação de bem-estar8,9.

Embora todas estas propriedades tenham sido estudadas, a verdade é que a literatura atual ainda não nos permite afirmar conclusivamente que o CBD oferece todos estes benefícios a toda a população. Os resultados existentes são de facto muito promissores e apontam para que o potencial terapêutico do CBD se verifique, ainda assim são necessários mais e melhores estudos para o poder comprovar definitivamente.

No entanto, temos de mencionar a grande quantidade de estudos a serem realizados que tentam determinar o valor do CBD (e de outros canabinóides) no tratamento de algumas condições dermatológicas, tais como o acne, a psoríase, a dermatite utópica, o prurido, e até em determinados tipos de cancro da pele. Olhando para os resultados, é possível observar a tendência para concluir que o CBD é um princípio ativo a ter-se em conta e que mais estudos o irão comprovar7,14.
 
Para terminar, é importante fazer a distinção entre o CBD como isolado e o óleo de sementes de cânhamo, já que são dois ingredientes completamente diferentes e que apresentam propriedades distintas (são também os únicos ingredientes provenientes da canábis que são permitidos para uso em produtos de dermocosmética na União Europeia) e que muitas vezes provocam confusão nos consumidores.
 
O isolado de CBD é obtido a partir da extração das folhas da planta de cânhamo, extração essa que é depois destilada para a obtenção do CBD puro. Como o nome indica, o isolado contém apenas CBD, quaisquer outros componentes presentes na planta da canábis (canabinóides, terpenos, etc) estão ausentes.
 
Já o óleo de sementes de cânhamo é obtido a partir das sementes das plantas de cânhamo, que praticamente não contém vestígios de CBD. Claro que tem um perfil de nutrientes muito rico, como os ácidos gordos Ómega-3 e Ómega-6, Vitaminas B e D, que ajudam a manter a pele saudável e nutrida, protegendo-a da inflamação, oxidação e outras causas do envelhecimento, mas não poderá fornecer quaisquer benefícios que são atribuídos ao CBD uma vez que este não se encontra presente.
 
Portanto, para poder ter acesso a todo o potencial terapêutico que o CBD oferece, não se contente com produtos que contenham apenas óleo de sementes cânhamo, escolha produtos onde a concentração de CBD está bem indicada. 
  1. Oláh A, et al. Cannabidiol exerts sebostatic and antiinflammatory effects on human sebocytes. J. Clin. Investig. 2014, 124, 3713–3724.
  2. Borges R, et al. Understanding the molecular aspects of tetrahydrocannabinol and cannabidiol as antioxidants. Molecules 2013, 18, 12663–12674.
  3. Jones NA, et al. Cannabidiol displays antiepileptiform and antiseizure properties in vitro and in vivo. J. Pharmacol. Exp. Ther. 2010, 332, 569–577.
  4. Niesink RJM, et al. Does cannabidiol protect against adverse psychological effect of THC? Frontiers in Psichiatry. Vol. 4, Article 130, Oct. 2013.
  5. WHO Report. Cannabidiol, Pre-Review Report Item 5.2. 39th Meeting of the Expert Committee on Drug Dependence, 6-10 November 2017.
  6. Palmieri B, et al. A therapeutic effect of cbd-enriched ointment in inflammatory skin diseases and cutaneous scars. Clin Ter. Mar-Apr 2019;170(2):e93-e99.
  7. Scheau C, et al. Cannabinoids in the Pathophysiology of Skin Inflammation. Molecules 2020, 25, 652.
  8. Gaston TE, et al. Quality of life in adults enrolled in an open-label study of cannabidiol (CBD) for treatment-resistant epilepsy. Epilepsy & Behavior, Volume 95, June 2019, Pages 10-17.
  9. Kunos G, et al. Endocannabinoids and the Control of Energy Homeostasis. The Journal of Biological Chemistry, vol. 283, n. 48, pp. 33021–33025, November 28, 2008.
  10. Tóth KF, et al. Cannabinoid Signaling in the Skin: Therapeutic Potential of the “C(ut)annabinoid” System. Molecules 2019, 24, 918.
  11. Biró T, et al. The endocannabinoid system of the skin in health and disease: novel perspectives and therapeutic opportunities. Trends Pharmacol Sci. 2009 August ; 30(8): 411–420.
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  13. Millar SA, et al. A systematic review of cannabidiol dosing in clinical populations. Br J Clin Pharmacol. 2019;85:1888–1900.
  14. Eagelston LRM, et al. Cannabinoids in dermatology: a scoping review. Dermatology Online Journal. Volume 24, Number 6, June 2018, 24(6): 1.
  15. Philpott HT, et al. Attenuation of early phase inflammation by cannabidiol prevents pain and nerve damage in rat osteoarthritis. PAIN, 158 (2017) 2442–2451.
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