O QUE É A CANÁBIS?

Embora seja referida de várias formas (canábis, cânhamo, erva, marijuana) e existam diversos tipos dentro da mesma planta (indica, sativa ou ruderalis), falamos sempre da espécie cannabis sativa L. (membro da família das Cannabaceae).

Cannabis Sativa L.

Atualmente, esta espécie encontra-se distribuída amplamente por todo o mundo, embora a sua origem remonte à Ásia Central1. Existem registos que os seres humanos têm usado esta planta desde há mais de 5000 anos, sendo uma das fontes mais antigas não só de comida (6000 aC) e fibra têxtil (4000 aC), mas também de produtos com fins terapêuticos. O primeiro registo do uso da canábis como medicamento remonta a cerca de 2700 aC, onde fazia parte da farmacopeia chinesa, sendo indicada no tratamento de dor crónica e patologias do foro psicológico, entre outras2 (até ao ano 100 foram identificados mais de 100 aplicações terapêuticas diferentes para a canábis). No entanto, a canábis tem sido usada com fins medicinais por todo o mundo, desde o Antigo Egipto (onde supostamente usaram a canábis para o tratamento do glaucoma e de inflamações gerais), à Índia (onde era usada como anti-fleumático e anestésico), ao Médio Oriente (onde era usada para o tratamento de enxaquecas e da dor), passando pelos ingleses (que usavam a canábis para o tratamento de convulsões, dor, espasmos musculares, insónias e problemas do sono)3,4.

Dentro desta espécie complexa foram descritas mais de 700 variedades cultivadas (cultivares) diferentes. O que as distingue entre si são principalmente as diferenças na concentração dos seus componentes (mais de 500 componentes químicos diferentes foram já identificados na canábis). De todos estes, de referir aqueles que são os mais importantes, ou que são pelo menos os mais estudados e sobre os quais mais evidência existe sobre os benefícios terapêuticos: os canabinóides (não descurando a importância dos terpenos, que têm o seu papel nos benefícios terapêuticos identificados)5,6.

  1. McPartland JM, et al. Cannabis in Asia: its center of origin and early cultivation, based on a synthesis of subfossil pollen and archaeobotanical studies. Veget Hist Archaeobot 28, 691–702 (2019).
  2. Brand EJ, et al. Cannabis in Chinese Medicine: Are Some Traditional Indications Referenced in Ancient Literature Related to Cannabinoids? Front Pharmacol. 2017 Mar 10;8:108.
  3. Hill K. Marijuana: The Unbiased Truth about the World’s Most Popular Weed. Hazelden Publishing. Center City, MN (2015).
  4. Newton D. Marijuana: A Reference Handbook. ABC-CLIO: Inc. Santa Barbara, CA (2013).
  5. Zuk-Golaszewska K, et al. Cannabis sativa L. – Cultivation and quality of raw material. J. Elem., 23(3): 971-984.
  6. Hazekamp A, et al. Cannabis – from cultivar to chemovar. Wiley online library, Drug Test. Analysis (2012)s,
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